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Psicobus


A partir do momento em que você assinala a opção “Psicologia” na inscrição do vestibular, é como se um ímã implantado fosse implantado em você, para atrair qualquer pessoa que queira abrir o coração, mesmo que nunca tenha te visto antes – e principalmente se estiver alcoolizada.

Mesmo se você morar em Curitiba, como eu, onde as pessoas ficam perdem a capacidade de fazer contato com desconhecidos em qualquer espaço em que sejam obrigadas a conviver, seja um elevador ou uma sala de espera, o ímã vai funcionar.

Para você que não é da área, experimente pegar um ônibus com uma mochila em que esteja escrita a palavra Psicologia. Alguma das situações seguintes, com toda a certeza, vai acontecer:



“Oi, moço! Cê faz psicologia, é?”

Sem tirar os fones de ouvido, você acena que sim. A pessoa insiste: “Meu sobrinho faz psicologia também.”

Você fica sem jeito de cortar o assunto por aí, tira os fones de ouvido e arrisca: “É mesmo? Onde?”

“Porto Alegre”, a pessoa responde, sem saber que nós não conhecemos todos os colegas de profissão do país.

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Algumas elogiam o seu curso, mas desqualificam todo o seu trabalho: “Meu bairro tem um pastor que é, assim, melhor que um psicólogo”. Ou ainda: “Eu faço tricô com as colegas, e olha... não tem terapia melhor”.

Outra comum: “Psicologia é lindo, viu? Um dia ainda vou fazer, sabe? Pra me conhecer melhor!”.

A pessoa fica toda orgulhosa do sonho, e você engole a vontade de responder que quem quer se conhecer melhor tem é de fazer terapia e não faculdade.



Minha situação preferida é quando a pessoa já se antecipa “Psicologia? Não vai me analisar, hein?”

Vale responder de bate-pronto: “Meu amigo, eu sou preguiçoso. Só analiso quando tão pagando.”



Agora, o mais comum é a pessoa contar uma história que começa no primo, passa pelo vizinho, vai para alguns momentos de “A minha mãe não me abraçava” e termina subitamente com “Moço, meu ponto é esse. Vou descer aqui.”

Mas se o ponto que estiver chegando for o seu, e não o da pessoa, arrisque dizer “Senhora, eu tenho que descer no próximo ponto. A consulta ficou em 250 reais.”

Ninguém mais vai lhe perturbar - só é difícil se recuperar da bolsada.

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