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Viver é urgente

Enquanto você for um ser humano, tudo o que é humano é seu. Toda a experiência humana lhe pertence.

Cada ato heróico e cada vergonha da história estão na sua conta. Se um humano fez, você teria sido capaz de também ter feito. Somos feitos da mesma coisa, não?

Se a autoestima estiver baixa, basta lembrar que é feito do mesmo material que os gênios. Você é feito de Ghandi e de Buda. Você é feito de Martin Luther King Jr. e de Gilberto Gil.

Da mesma forma, você é feito de Paulo Maluf e de Bandido da Luz Vermelha, e lembrar disso ajuda a segurar a onda de se achar muito santo.

Você é feito da mesma coisa que o cara que te xingou no trânsito ou que roubou seu celular, e talvez teria agido muito parecido nas mesmas condições que ele.

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Por isso não faz sentido isolar os criminosos da sociedade. Ok, nos protejamos, façamos justiça,  mas manter um canal de comunicação aberta pode ajudar a todos.

Um assassino pode ensinar muito sobre humanidade, mesmo para a pessoa mais altruísta.
Pode ensiná-lo, por exemplo, quais situações e pensamentos podem levar alguém a matar, e o altruísta pode conhecer e dominar melhor sua porção assassina da qual nem fazia ideia que existia.

Da mesma forma, a convivência com vários tipos de pessoas pode lembrar quem está na cadeia de que eles não são feitos de farinha de criminoso, e sim com a mesma receita de gente que todos os outros seres humanos, e por isso mesmo podem ter experiências muito maiores do que as que conhecem, tendo a oportunidade pra tanto.

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Se tudo que é de um humano é de todos, das conquistas aos erros, podemos procurar aprender com as diferenças em vez de nos afastarmos por elas.

Você pisou na Lua e morreu de fome. Você alimentou os órfãos e assassinou Jesus.
Você é o Alfa e o Ômega, a Ivete Sangalo e a Claudia Leitte.
Você é cada uma das oito bilhões de pessoas que estão vivas nesse momento.

Olhando assim, cada experiência se enriquece muito. Há muito ao que estar atento. Conhecer o outro é conhecer uma parte sua.

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Se todas as vidas que existem são suas, e nunca se viveu tanto e de tantas formas únicas, viver se torna urgente.

Viver é urgente porque é fugaz, porque somos todos feitos do mesmo pó vivo e todo mundo está na mesma. Viver é urgente porque você é único e porque o outro também é você.
Viver é urgente porque você é tão gente quanto um assassino, e o Papa é tão gente quanto os dois.
Viver é urgente porque há muito o que conhecer sobre si mesmo, ainda que através do outro.

Viver é urgente porque existe muita gente por aí. Muita gente diferente, e todos iguais, porque todos são... você.
Sem separação e sem medo.

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