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Um cálice

Há muitos anos derramava um cálice
que implorava a Deus pelo que seja,
e derramava o que talvez amasse,
e derramava o que de mim rasteja.

Fazia limo, e à noite tossia
toda a umidade que a secura ardia.
Fazia festa o mofo que tecia
todo o calor de sua existência fria.

Quando abraçava, à noite, sua caneta
abria arquivos de uma lua preta,
Quando pintava com dor e palavras
cenário cego, insípida paleta.

Sonhava as cores de uma obra-prima
em seus outonos de textura fina
atualizava-se no nascimento
do dia; a noite que o sol assassina.

O seu sorriso desprendia pedra
com a crueza que me transpenetra.
Há muitos anos derramava um cálice
que ainda hoje minha vida afeta.

("Fuja do jardim enquanto temos tempo"
alguém gritou, quebrando o encantamento)

Comentários

  1. Poxa vida, Flávio.
    Muito bonito e muito bem escrito.
    Seja meu irmão mais novo.

    Beijo.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Poeminha é o que há! :)

    Flw.

    ResponderExcluir
  4. Anônimo9:22 PM

    Achei bonito. Agora gostaria de saber sua idéia sobre minhas idéias em http://dozeroaoum.wordpress.com.

    ResponderExcluir
  5. Belos quartetos decassílabos, bastante subjetivos, cheios de possíveis significados, apreciei. Escreva mais deles...

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