Pular para o conteúdo principal

Cuidados Médicos

No urologista:
- Mas não se preocupe, esse corrimento deve parar em duas semanas.
- Ufa. Então tá tudo bem, doutor?
- Só tomar esse comprimido por duas semanas e evitar venezuelanas desmaiadas sem camisinha.
- Fácil de falar, difícil de fazer.
- Pra terminar a consulta, o senhor está sabendo da nova campanha de higiene peniana que o governo está fazendo?
- Campanha de higiene peniana? Mas pra quê campanha, é tão prático, dá pra lavar o pinto na pia mesmo.
- Eu já li isso em algum lugar. Mas enfim, leve o panfleto contigo.

O urologista entrega um panfleto ilustrado. A imagem? Um pênis, uma barra de sabão que provavelmente é do mesmo tipo utilizado por lavadeiras que trabalham em rios e uma torneira. Apenas uma legenda salva a imagem de alguma possível conotação sexual: "ÁGUA E SABÃO: OS MELHORES AMIGOS DO SEU AMIGO".

O paciente sorri.
- Ah, verdade! São amigos mesmo. Pelo menos, são amigos do meu. Todo fim de semana, meu pênis, uma torneira e uma barra de sabão vão juntos ao cinema.
- Como?
- Meu pinto tem carteirinha de meia-entrada.
- O que seu pinto estuda?
- Higiene bucal. Quer que eu demonstre?
- Como?
- Não que seja fino como um fio dental... Quer dizer, o senhor acabou de ver.
- Seu pênis tem corrimento, é melhor que o senhor evite sexo oral desprotegido pelos próximos dias.

Desconforto.
- Uhn, era uma piada, doutor.
- E também não seria legal expôr seu pênis no cinema. Quer dizer, eu vou com meus filhos lá.
- Isso também era uma piada.
- Ufa.
- E se não fosse piada, seria num cinema pornô.
- Mas é aí mesmo que eu levo minhas crianças.

O paciente deixa passar aqueles segundos necessários para se definir se a ironia dita era mesmo ironia.
- Ah, mas e o doutor não quer que seus filhos vejam pintos?
- Não os com corrimento.
- Ah, tá.
- Cinema pornô deixa pagar meia entrada com carteirinha?
- Bom, não sei...
- É cultural, não é?
- É a primeira sílaba de cultural, sim.
- Vou mandar fazer uma pra mim.
- O senhor não é estudante.
- Me recuso a pagar dezoito reais por um cineminha. Se for contar a entrada das crianças... Meu salário não aguenta.
- O senhor leva mesmo seus filhos no cinema pornô?
- Enfim, não vamos entrar em assuntos pessoais. Só uma pergunta, o seu pênis é habilitado em higiene bucal mesmo?
- Doutor, era só uma brincadeira...
- Que pena. Acho que o meu filho está com cáries...
- Acontece nas melhores famílias.
- Mas também, cada coisa que ele come quando vai ao cinema...

Comentários

  1. Monique12:51 AM

    HAHAHAHAHAHAHA! Garoto, cê tem TODOS os parafusos frouxos.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Enganei o bobo na casca do ovo

Quem disse que desenho animado não é ciência?  Bem, ninguém disse isso, mas eu me surpreendi quando fiquei sabendo que um dos meus clichês preferidos de desenho infantil tem a ver com um prêmio Nobel.  Lembra quando o Tom, do Tom e Jerry - ou qualquer outro desenho da época - via um ovo chocar e o pintinho que saía de dentro o chamava de mamãe, e o seguia por todo lugar? Isso aconteceu com um cientista chamado Konrad Lorenz, que estudava biologia, psicologia e o que mais tivesse pela frente, e que um dia, tal como o Tom, viu chocar um ovinho de ganso. Bem, o histórico de Lorenz não era muito bom (com alguns estudos voltados a descobrir se "híbridos germânico-polacos" tinham a mesma capacidade de trabalho que ditos "alemães puros", aquele nazisminho básico). Ainda assim, o ganso lhe deu uma oportunidade de ressignificar sua obra, porque assim que nasceu, começou a seguir o cientista alemão. O cientista não tinha penas, não tinha os dedos dos pés grudados (que eu saib...

Dando sopa

Às vezes me sinto a pessoa mais influenciável do mundo. Estava voltando da faculdade e tentando ler um livro enquanto o ônibus chacoalhava de lá para cá. Na história, pra demonstrar a pobreza do personagem, o autor fez questão de fazer constar que ele só come sopa, em todas as refeições. Uma das cenas descrevia com riqueza de detalhes a sopa que o rapaz comia: rala, com poucos pedaços de frango, arroz do dia anterior e algumas batatas picadinhas. A intenção era despertar piedade do personagem. O efeito foi o de me deixar morrendo de vontade de comer sopa. -- Em pleno verão, bater na porta dos vizinhos mais amigáveis perguntando se eles tinham sopa não era uma opção - e sim, se fosse inverno eu teria cara-de-pau suficiente de fazer isso.  A solução foi caminhar até um hipermercado perto de casa, o único lugar aberto naquele horário. Talvez eu achasse sopa em lata por lá. -- Pelo menos quinhentas pessoas se amontoavam na entrada do supermercado. Pessoa...

Zombeteiro

Nada é mais cafona em pleno ano de 2025 do que querer um sentido pra vida. Eu não devia falar isso em voz alta, porque meu emprego literalmente é fazer as pessoas acreditarem que algum sentido deve existir e aí passar duzentas sessões correndo atrás disso.  É uma profissão que, para os ingênuos, é muito bonita e faz muito sentido.  Bobagem. Eu gosto de ser terapeuta e acredito de verdade que algum bem eu devo fazer pros meus pacientes, mas esperar sentido disso? Cafona.  O sentido de qualquer trabalho é sair do trabalho e não fazer nada. -- A vida mais sem sentido talvez seja a com mais sentido: ficar aqui por um tempo, trabalhar um tanto, comer algumas coisas gostosas e ocasionalmente passar a mão num gato. Depois, pendurar as chuteiras, sem culpa nenhuma, e dormir pra sempre.  É o verdadeiro paraíso.  Nunca pensei "que ódio, vou tirar uma sonequinha depois do almoço" ou acordei pensando "que experiência horrível essa de me desacoplar da vida por uns minutinhos...