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Luísa

Caminhando pela rua, no meio de um papo com um amigo, fui surpreendido por uma pancada forte no joelho. Coisa normal, se for levar em conta a minha altura (quase um e noventa) e minha falta de habilidade em me locomover sem tropeçar nas coisas.

Olhei pra baixo, pra conferir qual era a da pancada, pensando que tinha tropeçado em um toco de árvore ou coisa parecida. Não era.

Uma garotinha linda, de uns três anos de idade, gordinha e com os cabelos loiros cacheados, que parecia ter fugido de um comercial da Oi, estava caída na minha frente.

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O pânico da menina me deu até dó. Ela não sabia se chorava por ter batido a cabeça, por estar em frente a um homem desconhecido com o quádruplo da sua altura ou por não encontrar a mãe.

Olhei ao redor para ver se achava a mãe da criança.

Uns cinco metros para a frente, vi uma mulher gesticulando e falando sozinha: "Porque o teu pai não presta atenção em mim, Luísa".

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Chega a ser engraçado como as oportunidades às vezes caem nas mãos de quem não pode aproveitá-las. Seria uma chance divina, se eu fosse pedófilo.

Linda a menina, linda.

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Existe pedófilo passivo? No sentido sexual?

Será que alguém sequestra um bebê pra ficar rebolando em cima da piroquinha mole dele? Não serve nem pra fazer cócegas, né? Nem pra enfiar na boca dá.

Só se for uma mistura de pedofilia e fisting: você pega uma criança, já relativamente crescidinha, que é pra ter o corpo mais rígido e menos molengão, pede pra ela fazer posição de sentido e puf, e enfia ela inteira no reto.

Sim, a logística do negócio é complicada. Mas entre achar uma criança pra sequestrar e picotá-la pra guardar no freezer, vale a tentativa.

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O pior foi a cara da mãe vindo buscar a filha e olhando pra mim como se eu fosse responsável pelo tombo da filha.

Mal sabia ela que, olhando bem, eu tinha salvo a vida da menina. Tivesse tropeçado em outra pessoa, naquela altura a Luísa já podia estar todinha no reto de alguém.

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