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Badoo

"Flávio, sabe onde eu te vi outro dia?" - Minha amiga perguntou.
Gelei. Os lugares que eu frequento são quase tão comprometedores quanto o meu histórico de buscas no Google.
Pensa aí num lugar equivalente a pesquisar por "pra onde uma espinha vai quando ela explode pra dentro" e você vai ter uma ideia de onde eu costumo ir.
Mas era um lugar pior do que eu poderia imaginar.
"No Badoo! Meu vizinho falou que lá era bom pra conhecer gente, eu baixei, e apareceu você lá!"
--
Pra quem não sabe, o Badoo é o umbral dos solteiros.
Dá pra classificar as pessoas pelos aplicativos que elas usam pra conhecer gente.
Se ela tá mais de boa, e quer achar alguém que tem carro, vai de Happn.
Se tá mais no aperto, mas exige um choppinho antes do abate, Tinder.
Agora, se você tá sem luz no fim do túnel, matando cachorro a abraço e chamando a Sônia Abrão de meu louro, você instala o Badoo.
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Eu nem sabia que eu tinha uma conta nesse inferno de site.
Entrei lá, tentei excluir minha conta e não consegui. Quem fez o site sabe que ninguém vai encontrar o amor lá mesmo, então pra quê desinstalar?
Desisti. Depois tentei de novo, mas não lembrei minha senha. Tentei logar com o Facebook.
E esse buraco-negro de site automaticamente criou um perfil novo!
Agora eu não tenho uma, mas duas contas no Badoo que eu não consigo apagar.
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Meu status na hierarquia da solidão não é mais o de mero solteiro.
Virei o guardião dos portais da virgindade. O padroeiro das solteiras com vinte gatos. O Exu do Encalhe.
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O pior é que agora eu fico recebendo emails do tipo "Jessica, 26 anos, se interessou por você."
Desculpa, Jessica, mas você tá procurando a pessoa errada. Do jeito errado. No lugar errado.
Porra, Jessica. Me ajuda a te ajudar.
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Já entendi que nunca vou conseguir cancelar essa merda de conta. Vou ficar preso nesse labirinto pra sempre.
No Badoo, solteiro e sozinho.
Jessica, segura minha mão?

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