Se você gosta de chocolate ao leite em vez de comer 99% amargo ou lamber a própria fruta do cacau, sua opinião sobre chocolate não conta.
Se o seu café não é 100% tipo exportação e mais denso que um barril de petróleo, você não entende nada de café.
Se não botar pimenta na comida até nascer uma hemorróida no seu olho esquerdo, você não é homem.
Ai de você se gostar de vinho suave.
Povo dá soco no ser humano que torce pra outro time de futebol. Povo briga pra ver se inverno é melhor que verão.
Povo briga pra ver quem é o mais justo e igualitário.
Depois foi a política que deixou as pessoas extremistas.
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Só sei que as vidas devem estar muito desorganizadas e vazias de afeto. Se não for por isso, por que alguém precisaria tanto se prender a uma opinião - por um assunto bobo que seja - pra se sentir seguro?
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Um dia eu vou inventar uma elitização pra alguma coisa bem específica. Sei lá, tomar Toddy com leite azedo.
A pessoa na cozinha, bem na dela, e eu chego:
"Nossa, cê tá tomando Toddy?"
"Sim, sim, é meu vício!"
"Mas COM LEITE?"
"É desnatado, né? Pelo menos eu tento cuidar..."
"Mas é azedo, né?"
"Como?"
Aí eu chego perto e cheiro a caneca da pessoa.
"Credo, você toma Toddy com leite fresco?"
A pessoa não entende, eu faço cara de nojo e pena:
"Cada doido com sua mania, né?"
Não dou um mês pra ter uma galera tomando Toddynho azedo de nariz empinado e se fazendo de entendida na internet.
Quem disse que desenho animado não é ciência? Bem, ninguém disse isso, mas eu me surpreendi quando fiquei sabendo que um dos meus clichês preferidos de desenho infantil tem a ver com um prêmio Nobel. Lembra quando o Tom, do Tom e Jerry - ou qualquer outro desenho da época - via um ovo chocar e o pintinho que saía de dentro o chamava de mamãe, e o seguia por todo lugar? Isso aconteceu com um cientista chamado Konrad Lorenz, que estudava biologia, psicologia e o que mais tivesse pela frente, e que um dia, tal como o Tom, viu chocar um ovinho de ganso. Bem, o histórico de Lorenz não era muito bom (com alguns estudos voltados a descobrir se "híbridos germânico-polacos" tinham a mesma capacidade de trabalho que ditos "alemães puros", aquele nazisminho básico). Ainda assim, o ganso lhe deu uma oportunidade de ressignificar sua obra, porque assim que nasceu, começou a seguir o cientista alemão. O cientista não tinha penas, não tinha os dedos dos pés grudados (que eu saib...
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