Pular para o conteúdo principal

Caçulandra e Debochádenes



Esta é uma velha história da mitologia grega sobre rivalidade e união envolvendo duas jovens mortais, Caçulandra e Debochádenes.

Debochádenes foi a primeira filha de Exaustine e recebia muito carinho e atenção da mãe. Feliz, apesar de muito cansada, Exaustine decidiu ter mais uma filha, e foi então que nasceu Caçulandra.

Exaustine se desdobrava para dar atenção às duas crianças, que disputavam seu carinho.

Em breve chegaria o momento de Caçulandra se destacar, pois se aproximava o dia do seu ritual da tocha, em que ela assopraria uma labareda cerimonial diante de toda a família, receberia um banquete e seria aplaudida.

Mal sabia Caçulandra que Debochádenes tinha um plano sombrio para recuperar a atenção que perdera. Chegado o dia da festividade, Debochádenes assoprou a tocha de Caçulandra e recebeu toda a atenção para si.

Furiosa, Caçulandra agarrou-se nos cabelos de Debochádenes e passou a agredí-la no meio da cerimônia.

Mesmo ferida, Debochádenes sorria, contente pela atenção conquistada.

--

A briga foi tão chamativa que conquistou o olhar do deus Internétilos, que observava a festa.

Internétilos, então, rogou uma profecia sobre as irmãs-inimigas, que ao mesmo tempo lhes abençoava e amaldiçoava:

"Vós ganhareis muita atenção, mas somente pelo que fizestes juntas! Quando uma for lembrada, a outra será também."

Internétilos espalhou a história da briga por todo o país, e as irmãs ganharam fama e sucesso por conta da sua briga por atenção.

Entretanto, passaram o resto de suas vidas dividindo a atenção que desejavam. Essa história representa a relação de amor e ódio de todos os irmãos do mundo.

--

A história tem mais um personagem: Cagarrégrades.

Enquanto as duas irmãs ganhavam a atenção de Internétilos, Cagarrégrades corria atrás, aos gritos:

"Ai, que terrível expôr as duas desse jeito!"

"Ai, a Caçulandra está violenta demais pro meu gosto, precisa de um remédo!"

"Nossa, mas esse olhar de Debochádenes é de psicopata!"

Interpretando essa face do mito, é possível ver como Cagarrégrades não se importava verdadeiramente com o bem estar das meninas, e sim desejava para si a atenção que as duas tinham conquistado.

Mas isso é só uma história antiga, OK? Não tenho nenhuma opinião a respeito.

Só acho impressionante como a mitologia é sempre atual!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Enganei o bobo na casca do ovo

Quem disse que desenho animado não é ciência?  Bem, ninguém disse isso, mas eu me surpreendi quando fiquei sabendo que um dos meus clichês preferidos de desenho infantil tem a ver com um prêmio Nobel.  Lembra quando o Tom, do Tom e Jerry - ou qualquer outro desenho da época - via um ovo chocar e o pintinho que saía de dentro o chamava de mamãe, e o seguia por todo lugar? Isso aconteceu com um cientista chamado Konrad Lorenz, que estudava biologia, psicologia e o que mais tivesse pela frente, e que um dia, tal como o Tom, viu chocar um ovinho de ganso. Bem, o histórico de Lorenz não era muito bom (com alguns estudos voltados a descobrir se "híbridos germânico-polacos" tinham a mesma capacidade de trabalho que ditos "alemães puros", aquele nazisminho básico). Ainda assim, o ganso lhe deu uma oportunidade de ressignificar sua obra, porque assim que nasceu, começou a seguir o cientista alemão. O cientista não tinha penas, não tinha os dedos dos pés grudados (que eu saib...

Dando sopa

Às vezes me sinto a pessoa mais influenciável do mundo. Estava voltando da faculdade e tentando ler um livro enquanto o ônibus chacoalhava de lá para cá. Na história, pra demonstrar a pobreza do personagem, o autor fez questão de fazer constar que ele só come sopa, em todas as refeições. Uma das cenas descrevia com riqueza de detalhes a sopa que o rapaz comia: rala, com poucos pedaços de frango, arroz do dia anterior e algumas batatas picadinhas. A intenção era despertar piedade do personagem. O efeito foi o de me deixar morrendo de vontade de comer sopa. -- Em pleno verão, bater na porta dos vizinhos mais amigáveis perguntando se eles tinham sopa não era uma opção - e sim, se fosse inverno eu teria cara-de-pau suficiente de fazer isso.  A solução foi caminhar até um hipermercado perto de casa, o único lugar aberto naquele horário. Talvez eu achasse sopa em lata por lá. -- Pelo menos quinhentas pessoas se amontoavam na entrada do supermercado. Pessoa...

Zombeteiro

Nada é mais cafona em pleno ano de 2025 do que querer um sentido pra vida. Eu não devia falar isso em voz alta, porque meu emprego literalmente é fazer as pessoas acreditarem que algum sentido deve existir e aí passar duzentas sessões correndo atrás disso.  É uma profissão que, para os ingênuos, é muito bonita e faz muito sentido.  Bobagem. Eu gosto de ser terapeuta e acredito de verdade que algum bem eu devo fazer pros meus pacientes, mas esperar sentido disso? Cafona.  O sentido de qualquer trabalho é sair do trabalho e não fazer nada. -- A vida mais sem sentido talvez seja a com mais sentido: ficar aqui por um tempo, trabalhar um tanto, comer algumas coisas gostosas e ocasionalmente passar a mão num gato. Depois, pendurar as chuteiras, sem culpa nenhuma, e dormir pra sempre.  É o verdadeiro paraíso.  Nunca pensei "que ódio, vou tirar uma sonequinha depois do almoço" ou acordei pensando "que experiência horrível essa de me desacoplar da vida por uns minutinhos...