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Aos primeiros sintomas


Escutei essa de um médico: aos primeiros sinais de uma enxaqueca, tome logo um analgésico. Não queira ser forte, não queira ver se a dor passa sozinha. Ela não vai passar, a tensão vai se acumular e você só vai sofrer à toa.

Pois bem, eu sofro à toa.

Quando a cabeça começa a doer, minha primeira atitude é mentir pra mim que nada está acontecendo, e aí tomo uma água, depois um café, respiro fundo, faço um alongamento... Qualquer coisa pra não ser um fracote que toma remédio por motivo nenhum.

Meia hora depois lá estou eu, com uma dor de fazer o capeta chamar Jesus e torcendo pro remédio que enrolei pra tomar fazer efeito logo.

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Outra coisa que eu relevo sem necessidade é gente assobiando.

Não quero surtar só porque a pessoa tá distraída fazendo um barulhinho bobo, né? 

Ignoro um, dois, dez minutos, o corpo retorcendo de raiva, fico tentando acreditar que a pessoa vai se tocar sozinha até não aguentar mais, e então solto um "ASSOBIA PELO CU PRA VER SE CHAMA PICA!" num volume super desproporcional. 

A pessoa não entende nada. Custava eu ter avisado quando o barulho começou a me incomodar?

Ser um pouco inconveniente antes teria me poupado de ser bem mais estúpido depois...

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Fico pensando no quanto é prejudicial não impôr limites aos primeiros sintomas de incômodo. Não existe benefício nenhum em tentar parecer mais forte, tolerante ou compreensivo do que realmente se é.

Ficar no "nem está tão ruim assim, eu posso aguentar" é só um jeito de dizer pra si mesmo que os próprios incômodos não são relevantes. E o que somos nós se não a coleção dos nossos incômodos?

Os problemas não precisam ser grandes pra que se tome uma atitude definitiva - qualquer sofrimento é válido o suficiente para que algo seja feito a respeito.

Muito pau não teria nascido torto se a gente não perdesse tanto tempo segurando o tchan.

Meu desafio do momento é economizar energia dando fim aos problemas nos primeiros sinais de incômodo. 

Espero conseguir. Isso pode me livrar de algumas enxaquecas.

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