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Casais felizes também tem crises



Terapia de casal é exaustiva pra um cacete.

As sessões são longas, as discussões são pesadas, os exercícios exigem sacrifícios, o processo é caro...


Eu mesmo escolho atender apenas um casal por vez. Quando eles saem da terapia, aceito mais um. Mais do que isso, não dou conta.


Admiro muito um terapeuta que consiga ter a agenda cheia de casais e não precise dormir numa banheira de gelo toda noite pra se recuperar.


É muita frustração: a terapia de casal resulta mais frequentemente em términos relativamente higiênicos do que em casais felizes fazendo propaganda de margarina.


Quer dizer, isso na minha experiência. Outros profissionais devem ter outros resultados. Também devem saber fazer propaganda dos seus serviços melhor do que eu.


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Fazer uma planta crescer numa direção previsível já é difícil - mesmo você amarrando seu tronco numa estaca, ela vai lutar centímetro por centímetro, dia após dia, para crescer na direção que deseja.


Imagina então quando se trata do crescimento de não uma pessoa, mas duas que tentam se desenvolver com alguma sincronia. Em vários momentos elas vão querer divergir, sentir que estão indo contra o que lhes é natural e vão se sentir presas.


Isso por si só não quer dizer que o relacionamento esteja fadado ao fracasso. É a adaptação a esses desafios que vai fazer a diferença para a manutenção do casal a longo prazo.


Com que frequência essas sensações ocorrem? Os dois lados se sentem dispostos a ceder? As duas pessoas do relacionamento sentem que o esforço para ultrapassar essa fase é mútuo?


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Naturalmente -- com terapia ou não -- a insistência em tentar compreender o outro lado por um longo período de tempo vai cobrando seu preço.


E é esse cansaço que bate o martelo da maior parte dos términos de relacionamento. Quando a sensação passa a ser de "Estou descontente, mas não adianta mais tentar", a semente da morte já está plantada.


Isso fica ainda mais complicado quando estamos cercados de um discurso de que quem se mantém em relacionamentos difíceis é fraco. O discurso de superação através da solteirice pode ser muito importante pra muita gente, mas não é uma verdade universal.


Sim, é importante ser capaz de experimentar a felicidade por conta própria, mas não é errado desejar viver a vida com algum apoio.


Ter crises ou momentos infelizes num relacionamento longo não quer dizer que a dinâmica do casal seja abusiva ou que você está errado por querer ficar.


Construir uma vida a dois é difícil, mas por isso mesmo o resultado dessa construção pode ser recompensador.


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É essa mensagem que eu quero deixar para quem está lutando por um relacionamento e tem medo de que isso não vá valer a pena: se esforçar pelo seu amor é bonito, sim.


Assim como, depois de um tempo de luta, decidir embora pode ser belo também. Não é um fracasso tentar harmonizar algo tão difícil quanto um relacionamento e não conseguir.


Tentar continuar ou abrir mão de algo tão importante como um relacionamento são movimentos igualmente complicados e ambos exigem muita coragem.


E é essa coragem de viver que precisa ser admirada -- independente do resultado final.

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