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Como superar um homem que não presta



Você se apaixonou.

Eu sei que o seu coração bateu mais forte quando aquele homem disse tudo o que você queria ouvir, fazendo promessas de que tudo ia mudar e que ninguém mais ia enganar você.


Ele disse que era um homem de caráter, um homem de família, e quem é que não gosta de ouvir isso? Você acreditou.


E, sabe, eu te entendo!

Eu também já me apaixonei por homens que não prestavam, e defendi as atitudes deles até o ponto de passar vergonha. É difícil, a gente não quer passar por errado, não quer perder o pouco de dignidade que nos resta.


E aí a gente insiste.


--


Complicado mesmo é o momento que a gente percebe que ele não gosta da gente de verdade. E você já sabe disso: ele não se importa com você.


Por amor, você o defende vez após vez, mas ele mantém as atitudes ignorantes que fazem as pessoas avisarem que ele não te faz bem. Você não escuta.

Ele diz que vai mudar...


E não muda!

Você diz: "É ignorância, não é maldade!", mas percebe que ele parece ter a intenção de fazer coisas que lhe machucam. Você não quer acreditar e faz o maior esforço pra passar um pano.

"Ele deve saber do que está fazendo!", você diz, com medo de ter sido enganado outra vez.


Ele diz que a prioridade dele é cuidar de você, mas ele faz pela família e amigos coisas que nunca faria por você. Ele diz que você precisa passar aperto pelo bem da família, mas ele esbanja no que bem entender. Gasta com pessoas próximas.

Você questiona sua sanidade, porque seu coração continua dizendo que ele é um homem bom.


Ele vai ficando mais e mais ignorante.

Você ignora os sinais de violência, até perceber que está mais perto da morte do que imagina. "Como pode uma pessoa que parecia tão boa se tornar um monstro tão insensível?", você se pergunta, mas já é tarde demais pra pular do barco.


--


Você reluta, mas começa a analisar a situação de outra forma.

Talvez você tenha projetado desejos infantis naquele homem. Talvez você estivesse procurando, sei lá, um pai? E no fundo só encontrou um homem autoritário e que não se importa de verdade com você. Que dor!


Eu sei que machuca perceber isso. Eu sei que dá vergonha admitir que a gente se deixou levar. Eu sei que fica difícil acreditar que outra pessoa, no futuro, possa ser mais gentil contigo.


Talvez seja necessário um trabalho emocional intenso pra lidar com a frustração, até no futuro conseguir aceitar pessoas diferentes, distantes das suas expectativas, mas que realmente se importem com você.


Eu sei que é difícil ter esperança novamente, mas deixe a vergonha de lado: você merece coisa melhor.


[esse texto é sobre relacionamentos românticos abusivos. qualquer semelhança com outros fatos de dimensão nacional é mera coincidência]

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