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O orgulho que impede a ajuda

 


Sociopatas, narcisistas e predadores em geral não se aproximam de nós como monstros. 

Eles sabem bem como mostrar força demais tende a afastar mais as pessoas do que aproximá-las, e por isso calculam milimetricamente a imagem que projetam ao mundo. 

Demonstram força o suficiente para suscitar o interesse de quem sente que precisa pegar força emprestada dos outros, mas também um ingrediente que muitas vezes passa batido de quem tenta descrevê-los: uma vulnerabilidade cuidadosamente arquitetada.

Temos muito o que aprender com esses monstros brilhantes. Eles entendem muito melhor a importância de mostrar fraqueza do que a maior parte de nós, inseguros e por trás de fachadas de força.

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Eu sou de pedir pouca ajuda. 
Pago com o lombo, mas tento resolver quase tudo sozinho. Fico bem mais confortável fazendo o papel de pessoa com quem os outros podem contar quando precisam resolver algum pepino.

Qual foi minha surpresa outro dia quando alguém me disse o seguinte: "Uma pessoa que não pede ajuda é uma pessoa orgulhosa, porque no fundo acha que pedir ajuda é sinal de fraqueza. Ela acredita que quem precisa de ajuda é menor do que ela. Essa pessoa ajuda os outros, mas não por carinho. Ela ajuda por superioridade moral."

A carapuça me serviu como uma avó serve um neto com fome. Como é gostoso botar a mão na cintura, olhar pra vida alheia e dizer: "Ai, ai, depois sou eu que preciso arrumar essa bagunça!"

Funciona muito bem pra distrair da solidão que é querer resolver todos os problemas que tem por conta própria.

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É nesse gancho que a gente se enrosca em gente ruim, que sabe usar a vulnerabilidade pra se prender à nossa soberba. 

Usando frases como: "Olha como você me machuca ao fazer isso...", "Olha a injustiça que você faz comigo", "Como você é ruim e egoísta!", eles atacam nossa pretensa superioridade moral. 

Nosso maldito orgulho.

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Pois se eles podem usar a vulnerabilidade para o mal, qual o problema em usarmos isso para o nosso bem? 

Experimentei outro dia, num momento de frustração com os meus horários -- a pior parte do meu trabalho é organizar a agenda -- perguntar pro meu namorado se ele não queria fazer o trabalho por mim.

O olhinho dele até brilhou. "Você deixa? Eu SEMPRE quis arrumar sua agenda, o jeito que você programa seus horários me deixa puto!"

Fiquei chocado. Nunca na minha vida tinha pensado na possibilidade de, num acesso do que só pode ser loucura, alguém ter VONTADE de me ajudar. 

Por que é tão difícil acreditar nisso, sendo que eu mesmo sinto o maior prazer em ajudar quando posso?

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Enfim, tô aprendendo a deixar o orgulho de lado e aceitar que, como qualquer outra pessoa, eu preciso de ajuda. Que posso pedir ajuda. Que mereço receber ajuda.

Mais ainda: que não sou um peso para quem me ajuda.

Tenho até medo de viciar e virar um folgado profissional. Se em algum momento isso acontecer, por favor, me ajudem.

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