Pular para o conteúdo principal

Baixando a Bolinha



Sempre achei que essa história de ter azar antes do aniversário fosse invenção da indústria da vela pra gente ficar feliz de fazer anos depois de velho, mas dessa vez eu dou o braço a torcer: inferno astral existe.

Meu aniversário é hoje, e de ontem pra cá passei um bom tempo no hospital tentando achar motivo pra uma dor estranha no abdômen que não passava há dias.

Exame vai, exame vem, finalmente bateram o martelo no meu testículo. Ele estava muito maior do que deveria estar, por conta de uma infecção. 

Fiquei boladíssimo.

--

Doeu bastante. Sem querer ser hiperbólico, quase botei um ovo.

Estranhei que a dor tenha começado no abdômen, e não no saco. A explicação do médico é que ali é tudo meio embolado mesmo.

Esse ano tá tão pesado que chocou até o meu ovo. Eu devia ter imaginado que alguma coisa ia acontecer, mas como? 

Eu não tenho bola de cristal.

--

Vai ficar tudo bem, estou tomando antibiótico e em alguns dias tudo deve voltar ao normal. 

Mas isso tinha que acontecer bem no meu aniversário? Eu sei que falei que queria um bolão na minha festa, mas era aumentativo de bolo, não bola.

Nos próximos dias, vou ter que rebolar pra conviver com essa batata inglesa que brotou na minha terra improdutiva.

Logo, logo, estarei renovado.

(entenderam? ovado?)

--

Peço desculpas a quem me segue querendo ler textos sobre psicologia, mas essa semana eu não consegui bolar um. Faltou saco.

Antes que vocês também fiquem de saco cheio, eu vou terminar esse texto. Obrigado a quem me mandou feliz aniversário e a quem me desejou melhoras. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Enganei o bobo na casca do ovo

Quem disse que desenho animado não é ciência?  Bem, ninguém disse isso, mas eu me surpreendi quando fiquei sabendo que um dos meus clichês preferidos de desenho infantil tem a ver com um prêmio Nobel.  Lembra quando o Tom, do Tom e Jerry - ou qualquer outro desenho da época - via um ovo chocar e o pintinho que saía de dentro o chamava de mamãe, e o seguia por todo lugar? Isso aconteceu com um cientista chamado Konrad Lorenz, que estudava biologia, psicologia e o que mais tivesse pela frente, e que um dia, tal como o Tom, viu chocar um ovinho de ganso. Bem, o histórico de Lorenz não era muito bom (com alguns estudos voltados a descobrir se "híbridos germânico-polacos" tinham a mesma capacidade de trabalho que ditos "alemães puros", aquele nazisminho básico). Ainda assim, o ganso lhe deu uma oportunidade de ressignificar sua obra, porque assim que nasceu, começou a seguir o cientista alemão. O cientista não tinha penas, não tinha os dedos dos pés grudados (que eu saib...

Dando sopa

Às vezes me sinto a pessoa mais influenciável do mundo. Estava voltando da faculdade e tentando ler um livro enquanto o ônibus chacoalhava de lá para cá. Na história, pra demonstrar a pobreza do personagem, o autor fez questão de fazer constar que ele só come sopa, em todas as refeições. Uma das cenas descrevia com riqueza de detalhes a sopa que o rapaz comia: rala, com poucos pedaços de frango, arroz do dia anterior e algumas batatas picadinhas. A intenção era despertar piedade do personagem. O efeito foi o de me deixar morrendo de vontade de comer sopa. -- Em pleno verão, bater na porta dos vizinhos mais amigáveis perguntando se eles tinham sopa não era uma opção - e sim, se fosse inverno eu teria cara-de-pau suficiente de fazer isso.  A solução foi caminhar até um hipermercado perto de casa, o único lugar aberto naquele horário. Talvez eu achasse sopa em lata por lá. -- Pelo menos quinhentas pessoas se amontoavam na entrada do supermercado. Pessoa...

Zombeteiro

Nada é mais cafona em pleno ano de 2025 do que querer um sentido pra vida. Eu não devia falar isso em voz alta, porque meu emprego literalmente é fazer as pessoas acreditarem que algum sentido deve existir e aí passar duzentas sessões correndo atrás disso.  É uma profissão que, para os ingênuos, é muito bonita e faz muito sentido.  Bobagem. Eu gosto de ser terapeuta e acredito de verdade que algum bem eu devo fazer pros meus pacientes, mas esperar sentido disso? Cafona.  O sentido de qualquer trabalho é sair do trabalho e não fazer nada. -- A vida mais sem sentido talvez seja a com mais sentido: ficar aqui por um tempo, trabalhar um tanto, comer algumas coisas gostosas e ocasionalmente passar a mão num gato. Depois, pendurar as chuteiras, sem culpa nenhuma, e dormir pra sempre.  É o verdadeiro paraíso.  Nunca pensei "que ódio, vou tirar uma sonequinha depois do almoço" ou acordei pensando "que experiência horrível essa de me desacoplar da vida por uns minutinhos...