Pular para o conteúdo principal

Acho que cheguei perto de uma definição ideal do que é ter fé.

Você arranja, depois de anos de tentativas, uma pessoa legal que não deixa de falar contigo depois do segundo encontro. Uma pessoa que te dá até a esperança de passar mais de um mês juntos - felicidade eterna.

Pouco tempo depois, vocês vão pra cama. O sexo é legal, a química é respeitável. Você dorme de conchinha pela primeira vez em séculos, tão feliz que quase não se importa com a dormência de um dos braços.

E então você cai no sono feliz dos amantes - somente para sonhar que está fazendo cocô, o cocô mais importante da sua vida. Um sonho relaxante.

E então você acorda com um pum e reza para que tenha sido só no sonho. Ou, pelo menos, para que ele esteja dormindo e não tenha sentido o ventinho quente no pau.

FÉ.

--

Pior que isso é imaginar que seria legal ter um lugar pra poder contar essas coisas e lembrar que você tem - e não usa há dois meses. Engraçado como na época da minha vida que eu estou mais decidido a ser um livro aberto foi a primeira vez que esse blog ficou mais de um mês sem nenhuma atualização. Posso jogar a culpa na faculdade? A faculdade comeu meus posts.

Isso e a minha pretensão de só querer postar contos aqui. Pra quê, se ninguém lê mesmo e a minha analista está em férias? Economia é tudo.

Comentários

  1. Serião, cê é uma pessoa muuuuito estranha. Te amo.

    ResponderExcluir
  2. Iasmim7:14 PM

    Oi, desculpa, eu leio.
    E gosto dos seus textos.Comecei a ler eles a relativamente pouco tempo então como você não tem escrito tanto eu vou voltando e vendo os antigos. Mas gosto mais do mais recentes mesmo, é engraçado, dá pra ver tanto como o jeito que você escreve foi desenvolvendo, assim mudando, continuou mais mudou sabe? Não sei, mas parece sim.
    Nao gostei tanto desse fé e nem do rolo compressor, mas gosto muito dos seus textos.

    ResponderExcluir
  3. O povo lê. Nem sempre comenta, mas lê. E o que descreveste não é fé, é auto-sugestão, mas chegou perto. Continue escrevendo... e comente o que seus leitores comentam.

    ResponderExcluir
  4. Anelita12:07 AM

    tb leio flá! ;**

    ResponderExcluir
  5. Muito interessante , gosto dos textos.
    Vinicius

    ResponderExcluir
  6. Anônimo3:55 PM

    cara li esse texto e achei muito interessante estou pesquisando sabe disser onde acho mais desses texto na internet???

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Dando sopa

Às vezes me sinto a pessoa mais influenciável do mundo. Estava voltando da faculdade e tentando ler um livro enquanto o ônibus chacoalhava de lá para cá. Na história, pra demonstrar a pobreza do personagem, o autor fez questão de fazer constar que ele só come sopa, em todas as refeições. Uma das cenas descrevia com riqueza de detalhes a sopa que o rapaz comia: rala, com poucos pedaços de frango, arroz do dia anterior e algumas batatas picadinhas. A intenção era despertar piedade do personagem. O efeito foi o de me deixar morrendo de vontade de comer sopa. -- Em pleno verão, bater na porta dos vizinhos mais amigáveis perguntando se eles tinham sopa não era uma opção - e sim, se fosse inverno eu teria cara-de-pau suficiente de fazer isso.  A solução foi caminhar até um hipermercado perto de casa, o único lugar aberto naquele horário. Talvez eu achasse sopa em lata por lá. -- Pelo menos quinhentas pessoas se amontoavam na entrada do supermercado. Pessoa...

Enganei o bobo na casca do ovo

Quem disse que desenho animado não é ciência?  Bem, ninguém disse isso, mas eu me surpreendi quando fiquei sabendo que um dos meus clichês preferidos de desenho infantil tem a ver com um prêmio Nobel.  Lembra quando o Tom, do Tom e Jerry - ou qualquer outro desenho da época - via um ovo chocar e o pintinho que saía de dentro o chamava de mamãe, e o seguia por todo lugar? Isso aconteceu com um cientista chamado Konrad Lorenz, que estudava biologia, psicologia e o que mais tivesse pela frente, e que um dia, tal como o Tom, viu chocar um ovinho de ganso. Bem, o histórico de Lorenz não era muito bom (com alguns estudos voltados a descobrir se "híbridos germânico-polacos" tinham a mesma capacidade de trabalho que ditos "alemães puros", aquele nazisminho básico). Ainda assim, o ganso lhe deu uma oportunidade de ressignificar sua obra, porque assim que nasceu, começou a seguir o cientista alemão. O cientista não tinha penas, não tinha os dedos dos pés grudados (que eu saib...

Ano passado eu morri

Não posso falar do final desse ano sem mencionar como ele começou. Em 31 de dezembro do ano passado, eu e meu então companheiro organizamos uma festinha de ano novo - dessa vez mais caprichada do que nos anos anteriores, com balõezinhos, mesa arrumada e vários convidados no terraço do prédio dele. Na hora dos fogos da meia-noite, eu saí a procura dele na festa. Ele abraçava os convidados, enquanto eu esperava na fila pra brindarmos juntos. Eu sei que parece coisa pouca, mas as coisinhas poucas demonstram o estado das coisas grandes, e naquele momento eu entendi tudo: que eu não era a primeira pessoa que ele queria abraçar, que se eu puxasse pela memória já fazia muito tempo que eu não ganhava um abraço espontâneo, e que não fazia mais sentido eu estar ali. Enquanto assistia os fogos, meu primeiro pensamento de 2025 foi "eu não vou estar aqui no ano que vem". Bateu como uma certeza, um soco no ventre que me disse, nos primeiros segundos do ano, que esse seria diferente dos últ...