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MC Pixinga

Alguma coisa mudou na nossa música popular. Não acho que seja ruim - porque música boa continua sendo feita e quanto mais gente se expressando, melhor. A questão que mais me intriga é como, em tão pouco tempo, nossa música foi de "Bonita e graciosa, estátua majestosa" para "Esfrega o pau na cara dela".

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Talvez seja uma questão de repressão, o motivo do Pixinguinha gastar palavras endeusando sua musa quando tudo o que ele queria era esfregar seu genital na face da Rosa.

Hoje estamos mais liberados, não precisamos mais dar volteios quando o que está na nossa cabeça é sexo. Isso permite que a música seja mais específica, com menos eu-te-amos e mais lamba-minha-bola-esquerda.

O problema não é de falta de pudor: é só que um coração parece muito mais bonito numa declaração do que uma bola esquerda.

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Eu queria ter feito meu TCC na faculdade de psicologia fazendo uma análise das músicas da Valesca Popozuda por uma ótica feminista. Tá certo que ela só se coloca como um produto para a degustação masculina, mas é impossível dizer que alguém que canta "Minha buceta é o poder" não contribua em nada para a emancipação masculina.

Sim, a vida dela gira em torno de satisfazer o seu negão - mas ela goza. É muito mais do que a Aracy de Almeida fazia.

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E uma voz feminina mais desbocada aparecendo no funk é essencial. Podem criticar o quanto quiser, mas enquanto houver uma Valesca Popozuda ou uma Tati Quebra-Barraco para gritar que Dako é bom, os funkeiros que versam sobre "esfregar o pau na cara dela" vão ter concorrência.

É o que impede que a mulher seja completamente subjugada no gueto - mesmo que só musicalmente.

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O problema vai ser quando o Homem Branco Cara-Pálida se apropriar do funk. Aí não vai mais ter Valesca Popozuda que ofereça resistência silicônica para tanta misoginia. Minha previsão é de que, em 2019, o maior hit do ano vai ser "Esfrega a cara dela no cocô", do MC Cagão.

A letra vai ser mais ou menos assim "Esfrega a cara dela no cocô / Esfrega a cara dela no cocô / Cachorra tá dizendo que gostou / Esfrega a cara dela no cocô!".

Aí começa uma participação especial do Rafinha Bastos que, depois de fracassar na televisão, vai investir na carreira de rapper e atender por MC Odeia-Fêmea. Ele vai cantar "Não importa se ela é a sua mãe / Não importa se ela é a sua tia / Su-bi-ju-ga essa vadia!".

As Cocozetes, no fundo, dançam de biquini e reencenam o vídeo de 2 girls 1 cup.

MC Cagão vai ser descrito pelo Faustão como "um grande cara, tanto no pessoal quanto no profissional". O Jogo da Vassoura (em que vence o rapaz que consegui esfregar a maior quantidade de rostos femininos no cocô espalhado pelo chão, usando uma vassoura) vai ser o quadro de maior audiência do Programa Silvio Santos.

Aí a gente vai ficar triste pelo mundo não ter acabado em 2012.

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Vocês sabem que o 2 girls 1 cup foi gravado no Brasil, né?

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Haja popozão.

Comentários

  1. Anônimo1:07 PM

    Um bom texto o seu, ou melhor, razoável...permeado com um quê de imaturidade, mas enfim, deve ser porque tens pouca idade e uma vivência um tanto lasciva e leviana. Tenta analisar o cenário pelo aspecto socioeconômico, pela ''lenta e gradual'' ascenção da classe C nos últimos anos, você poderá descobrir respostas fantásticas. E como dica de domingo, baixe a trilha sonora da primeira versão da novela ''Gabriela'' e compare com o cenário musical que ''permeia'' em ''Cheias de Charme'': você poderá ficar estupefado com a diferença gritante. E para terminar, quando vc tiver escutando a trilha de ''Gabriela'' (1975), atente-se para música "Coração Ateu'': Você saberá exatamente quem está te escrevendo isso.

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