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Geladeiras e guarda-roupas

Depois de formado na faculdade, precisei tomar umas escolas difíceis para não precisar voltar para a casa dos meus pais. Uma delas foi sair do apartamento simples e com móveis velhos em que eu morava... e ir para um lugar mais barato.

Aluguei um quarto no apartamento de uma amiga caridosa o suficiente para aceitar o valor que eu conseguiria pagar de aluguel.

Era só fazer a mudança, mas antes, eu precisaria decidir o que eu deixaria para trás por falta de espaço.

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A máquina de lavar roupa já estava funcionando na base da negociação. A cada dia uma etapa da lavagem funcionava: se lavava, não centrifugava; se centrifugava, pulava a etapa do molho; se fazia todas as etapas, engolia uma meia de cada par como pagamento.

A máquina estava tão fraca que, se você fizesse o ciclo completo de lavagem com um gato dentro dela, ele saía vivo e ronronando. E com o pêlo sujo.

O recado estava dado: ela não queria mais trabalhar. Como eu não escuto recado de eletrodoméstico, passei ela adiante para alguém que aceitasse os defeitos dela. 

Não foi difícil dar adeus. A pessoa que aceitou a máquina de graça não sabe o favor que me fez.

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Com meus pratos, talheres e copos, o processo também foi fácil: fiquei com duas ou três canecas que eu tinha ganho de presente e o resto foi doado.

Fui tão radical para doar louças que, na empolgação, doei  até o pratinho do micro-ondas. E o micro-ondas ficou comigo!

Sorte que ele funciona sem o pratinho.

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Meu guarda-roupa era velho e já era velho quando eu o comprei, mas eu não estava nadando em dólares para comprar um outro. Esse mesmo teria que sobreviver sua sexta ou sétima desmontagem e remontagem.
Sem problemas, o processo seria feito por um profissional: eu.

Quando fui desmontar o coitado, percebi que ele só estava em pé porque na última montagem ele foi entupido de pregos. Não sobrava uma prateleira intacta.

Desmontei com cuidado e torci para ele aguentar ser montado de novo. Na hora de montar, algumas peças da estrutura do móvel já estavam desgastadas demais.
Mas quem é que precisa de estrutura? Joguei essas partes fora e montei mesmo assim. Toda a parte de trás do guarda-roupa foi jogada fora.

E ele sobreviveu! Ele só precisa estar apoiado entre duas paredes para não cair, e você precisa empurrar o móvel todo para cima para conseguir abrir as gavetas.
Eu devia trabalhar com montagem de móveis.

Olha só, retinho!

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Mas a minha geladeira não tinha problema nenhum, tadinha. Era a única parte da minha casa antiga que ainda estava 100% boa.
Vendê-la não me daria quase nenhuma grana e eu sou egoísta demais para dar a geladeira pra alguém.

Levei ela comigo e a guardei no meu quarto. Não fazia sentido deixá-la ligada, nem guardar comida ali sendo que eu tinha uma cozinha perfeitamente funcional a alguns passos dali.
Precisava de um uso para ela.

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Acho que a geladeira e o guarda-roupa eram amigos, porque ele se recusou a aguentar o peso das minhas calças jeans.
E a geladeira é o quê, se não uma boa estante vedada completamente?

O trambolho branco da Electrolux hoje guarda parte das minhas roupas e minha papelada da época da faculdade. E eu não precisei vender minha geladeira nem jogar fora o guarda-roupa.


Mas hoje demoro horas para escolher uma calça jeans. Fico parado, com a porta da geladeira aberta, pensando na vida e escolhendo o que vestir.

Tem hábitos que nunca mudam.

Comentários

  1. Anônimo9:44 PM

    Agora você pode ficar com a porta da geladeira aberta sem se preocupar com o consumo de energia. Ah, mande um curriculo de montador para as Casas Bahia. Irá ser contratado, certeza! XP

    Obrigado pelo texto, a unica coisa que foi capaz de me alegrar hoje.

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  2. Anônimo9:31 PM

    E também no verão quando estiver muito quente vc pode ligar a geladeira e usar as roupas bem fresquinhas! XD

    ResponderExcluir

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