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A geração que quer ser geração

Só hoje apareceram uns três textos na minha timeline com títulos começando com "A geração que...".

Todo dia tem:
"A geração que não aceita ser mandada"
"A geração que largou tudo para viver seus sonhos"
"A geração que pendurou três quilos de maminha no açougue do Seu Toninho"

Geração de títulos mais criativos, ninguém quer fazer.

(Já escrevi texto assim também, mas me deixa ser hipócrita, vai.)

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Quando se entra na adolescência, é necessário largar um pouco a identificação que se tem com a família para conseguir se diferenciar e começar a se entender como uma pessoa única.

Como isso é um processo difícil, o adolescente vai se identificando com os grupinhos de amigos que estão por perto e também passam por esse processo.

É macaco imitando macaco pra mostrar que é menos macaco que os macacos lá de casa.

Junte um pouco de capitalismo na receita, com a capacidade de vender qualquer coisa, e o kit fica completo: o grupo já vem pronto, com roupa, perfume, música e ídolos pré-preparados. Pra facilitar.

Aos poucos, a gente vai crescendo e percebe que não é tão diferente assim. No fim das contas, a gente acaba sendo uma mistura do macaco-lá-de-casa e do macaco-punk-de-boutique que a gente ensaiou ser.

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Acontece que toda pessoa com seus vinte (trinta? quarenta? cento e vinte?) anos vai se sentir desorientada. Ninguém está com a vida acertada à essa altura. Isso é bom: seria um tédio viver o resto da vida com tudo pronto.

Mas, nessa inquietude de não se saber pra onde vai, a gente volta a se apegar em qualquer ideia de movimento. E, como adolescentes, tudo passa a ser motivo de identificação.

"Eu estou infeliz porque sou da geração que não se contenta com empregos medíocres, ora bolas." soa muito melhor do que "Tô envelhecendo, num emprego que eu não gosto e me sinto frustrado".

Mas fazer o quê? Estar frustrado faz parte do processo. Não dá pra se ter pressa para amadurecer.

A vida é um projeto que demora uma vida inteira.

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Pode ter certeza que geração nenhuma sabia o que estava fazendo enquanto estava surgindo. Só se entende uma mudança geracional depois que ela acontece, nenhuma geração vem pronta.

Apega-se em ser da "geração alguma coisa" quem não consegue se reconhecer como um processo único e individual - e, ainda assim, tão pequeno e comum quanto qualquer pessoa, de qualquer geração que tenha vindo antes.

Resolver isso? Fica pra geração seguinte.

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