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Trabalho e sentido

O que faz um bom profissional? 
Nos escritórios de Recursos Humanos pelo mundo, enfileiram-se candidatos dispostos a mostrar o melhor lado de si: o quanto estão preparados para um desafio, o quanto são mais dedicados do que os outros e como estudaram em boas escolas. 

Mesmo com toda a psico e tecnologia disponível, o instrumento mais usado para selecionar profissionais ainda é um pedaço de papel onde se enumeram as maiores conquistas da vida de uma pessoa. 

Não serve qualquer conquista:  num curriculum vitae, você precisa enumerar apenas aquilo de você que é comparável. Onde você trabalhou, onde você estudou, o que você fez de diferente... dos quarenta outros candidatos para a vaga com experiências muito parecidas com as suas. 

Numa entrevista, só se mostra um lado de si que caiba numa tabela na mente do entrevistador, que vai, numa tentativa de ser objetivo, fazer uma média de quem mais acertou na expectativa geral do que um candidato ideal deveria ser. 

Irônico, já que as mesmas empresas que tocam seus processos de seleção dessa forma pagam pequenas fortunas para um "empreendedor de sucesso" discursar animadamente sobre quebrar padrões e ser um profissional incomparável. 

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No formigueiro do mundo de negóciosmilhões de formigas de pastinha debaixo do braço lutam por espaço fazendo funções muito similares.   
Como estratégia de sobrevivência, formigas que somos, precisamos decidir qual o sentido que vamos dar para tudo isso. Infelizmente, sentido não é algo que se aprenda na escola.   
Entre as experiências que dão empregos e as experiências que dão sentido, mora um abismo.  

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Formação não é só diploma. 

Os dias em que eu ajudei a minha avó a colher cenouras na horta foram muito mais importantes na compreensão das alegrias singelas de uma pessoa do que a leitura de artigos de setenta página sobre felicidade. 
O dia que eu fiquei até as oito da noite na escola porque meus pais esqueceram de me buscar me ensinou muito mais sobre lidar com frustrações, comunicar minhas necessidades e ter paciência do que se eu tivesse estudado em um colégio com mensalidade de cinco salários mínimos. 
Os olhares, os toques, as convivências, os filmes assistidos, as amizades improváveis e as infelicidades do caminho nos tornam diferenciam muito mais profundamente do que o ano de intercâmbio na Austrália que nos garantiria uma vaga de emprego.  
São as pequenas experiências que nos tornam únicos. Infelizmente, isso não se pode botar num currículo. 

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Mas é certo: se você tiver um senso de sentido, algo humano, emocional e na dimensão do incomparável, você pode ter a função mais banal e repetitiva de uma empresa e ainda assim ter alguma luz.  
Uma pessoa com sentido é capaz de animar e contaminar positivamente todas as pessoas que trabalham com ela. 

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Se isso ajuda a manter um emprego? Não sei. 
Muitos especialistas não são especiais o suficiente para perceber a importância do pequeno na construção de algo grande. 
Mas se você lembrar que é tão formado pelo abraço da sua mãe e pelos apelidos que ganhava do irmão mais velho do que pela faculdade onde se formou, e buscar honrar esse sentimento singelo, sua carreira vai mudar.  
Mesmo fazendo a mesma função, no mesmo lugar e com as mesmas expectativas de um milhão de formigas de pastinha ao seu redor, você vai ser mais feliz. 

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