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Gincanas


Os psicólogos dizem que a infância é uma época de aprendizado, mas estou aqui para provar que psicólogos não sabem de nada. Se a gente aprendesse algo na infância, não passaria o resto das nossas vidas sem participar de uma gincana.

Elas são tão divertidas quando a gente é criança, tão gostosas de assistir na televisão, então por que é que a gente para de fazer gincanas depois que cresce?


E não é como se a gente esquecesse desse prazer depois de adultos. A ciência já comprovou que oitenta por cento do pensamento de um humano médio é gasto imaginando como se sairia se estivesse no Qual é a Música?

Quem nunca se imaginou heroicamente descobrindo qual é uma canção com apenas duas notas, maestro?


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É somente numa gincana que o potencial do ser humano é revelado completamente. Você pode passar anos estudando e nunca ter descoberto seu verdadeiro potencial, que é pegar maçãs numa bacia de farinha com a boca.

É na gincana que as pessoas se conhecem verdadeiramente.

Sem gincanas, como você descobriria que seu colega de trabalho é um gigante na corrida de saco?

Como mostraria para os amigos que sabe o nome da capital da Islândia?


Como um trabalhador consegue viver suportando a realidade de que nunca vai poder mandar seu chefe pagar uma prenda?


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Eu entendo que a disponibilidade para montar gincanas é muito menor quando a gente cresce, por isso as gincanas precisam ser acomodadas dentro de algum ritual que a gente já precisa efetuar de qualquer forma.


Minha sugestão: velórios-gincana.

A família e amigos já estão reunidos, todos já tem um elemento em comum (convenientemente exposto no centro de uma sala), e o padre/pastor/diretor da funerária podem servir como árbitros.

"Ah, mas eu estou sofrendo!"

Pois prove. Chore enquanto corre carregando um ovo numa colher com a boca.


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Até planejei a gincana do meu próprio velório, porque a gente ensina mesmo é dando o exemplo.

Eu vou querer três times: homens, mulheres e LGBT.


Todos vão passar por provas que medem força, agilidade, inteligência e capacidade de fazer sexo com pessoas do mesmo gênero - todas valendo a mesma quantidade de pontos, pra ser justo.

As provas vão ser temáticas da minha vida: a primeira atividade é atravessar sem chorar um corredor de bullying intenso. Depois, uma prova de bote-o-rabo-no-burro pra simbolizar meu ensino médio e uma prova de quem come mais cachorros-quentes em menos tempo pra representar meu ganho de peso após os trinta.


Depois, as pessoas vão responder perguntas sobre a minha vida.

"Aos dez anos, ele descobriu na brincadeira do compasso qual era o nome da pessoa que ele ia beijar. Qual era o nome?"

"Com qual canção do Kid Abelha ele passou vergonha na adolescência ao ouvir em público e gritar UHUL sem querer?"

"O Flávio usava a mesma senha em todos os suas redes sociais mesmo após repetidos vazamentos de dados. Qual era a senha?"


A primeira pessoa que correr cinquenta metros de lama, tocar um sino e responder corretamente ganha dez pontos.


Pro esforço valer a pena, o time ganhador pode levar meu corpo empalhado pra casa.

Tomara que a moda pegue. Estamos precisando ser mais lúdicos.

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